Descrição
Autor: André Gunder Frank
Tradutor: Caciano Machado
ISBN: 978-85-524-0556-6
Páginas: 560
Peso: 880g
Ano: 2025
16x23cm
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Meu argumento é que devemos analisar o todo, que é mais do que a soma das suas partes, para poder contemplar o desenvolvimento de qualquer uma das suas partes, incluindo a da Europa. Isso vale ainda mais para a “Ascensão do Ocidente”, uma vez que se verifica que, de uma perspectiva global, a Ásia, e não a Europa, desempenhou o papel central durante a maior parte da história moderna. Portanto, a questão mais importante envolve menos o que aconteceu na Europa do que o que aconteceu no mundo como um todo e particularmente nas principais regiões asiáticas. Apresento os acontecimentos históricos a partir desta perspectiva, muito mais global, e proponho dar conta do “declínio do Oriente” e da concomitante “Ascensão do Ocidente” no mundo como um todo.
André Gunder Frank
André Gunder Frank
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ReOrientar foi publicado em inglês em 1998 quando a China ainda não era reconhecida como “potência emergente” capaz de rivalizar com o principal país imperialista de nossa época, os Estados Unidos. Entretanto, não somente as previsões de Frank, mas especialmente seu radical revisionismo histórico exibiu as debilidades de vários autores e linhas de interpretação consideradas até então canônicas na análise do sistema mundial, razão pela qual tanto as contribuições de Wallerstein, Braudel, Weber e até mesmo Marx foram questionadas com excelentes argumentos e não menor dose de heresia. A denúncia do caráter eurocêntrico da teoria social dominante entre nós adquiriu nessa obra – e em outros escritos do autor – um rigor que descarta a maioria daqueles que pretenderam de maneira rasa e irresponsável negar valor às tradições teóricas inspiradas em Marx e no marxismo, para dar apenas o exemplo mais eloquente e importante. André Gunder Frank não deixou de reconhecer imenso valor na obra de Marx e, embora jamais tenha se definido como marxista, sempre teve na obra do alemão um interlocutor absolutamente necessário para afirmar suas notáveis contribuições.
Após sua fecunda crítica, muitos autores descobriram até mesmo as raízes asiáticas da revolução industrial inglesa e não foi mais possível ignorar a notável contribuição desse valioso livro que finalmente o público brasileiro terá em mãos a despeito de sua publicação tardia. Tal como afirmou com a mesma força e elegância com que escreveu outros livros tão relevantes para a formação e evolução do pensamento crítico latino-americano, ReOrientar move de maneira definitiva o tapete da ciência social estabelecida, “que não é outra coisa que ideologia eurocêntrica de dominação”. O conhecimento histórico e o aporte empírico de suas teses e hipóteses sobre a Europa e o Oriente são, de fato, exuberantes neste livro, constatação que nos obriga a revisar profundamente as autoridades intelectuais e acadêmicas constituídas no meio universitário dos Estados Unidos, da Europa e da América Latina. A “emergência” da China e do leste asiático na economia mundial, até então apresentada como algo inédito, nunca passou de ignorância histórica com sustento apenas na força da ideologia da classe dominante que promoveu por todos os meios autores e “teorias” que ainda gozam de imenso prestígio entre nós a despeito da debilidade de suas “teses”.
Agora, não obstante, terão que aceitar o “declínio do Oriente” verificado em séculos passados como mera expressão de uma fase da evolução da economia mundial e, da mesma forma, deverão admitir que o êxito das nações do Ocidente, marcadas pela chamada revolução industrial, tampouco resultou de alguma excepcionalidade europeia responsável pelo domínio necessariamente passageiro de sua hegemonia agora visível e irremediavelmente comprometida diante do ascenso da Ásia.
O público brasileiro poderá desfrutar da notável contribuição de Gunder Frank num momento em que nosso país exibe sem constrangimentos imenso desprezo pela teoria e pela história nos partidos, no sindicalismo, na academia, nas organizações sociais e, sobretudo, nos chamados “líderes políticos”. Portanto, não me surpreenderá que tanto a rejeição quanto o aplauso decorrente de sua leitura constituem manifestações evidentes da luta de classes em um mundo em crise, que terminam por sacodir o terreno outrora mais ou menos sólido em que pisávamos e as certezas que nos paralisaram, finalmente responsáveis por nos manter nos marcos do sistema capitalista como se, de fato, não houvesse alternativa possível.
Nildo Ouriques
Após sua fecunda crítica, muitos autores descobriram até mesmo as raízes asiáticas da revolução industrial inglesa e não foi mais possível ignorar a notável contribuição desse valioso livro que finalmente o público brasileiro terá em mãos a despeito de sua publicação tardia. Tal como afirmou com a mesma força e elegância com que escreveu outros livros tão relevantes para a formação e evolução do pensamento crítico latino-americano, ReOrientar move de maneira definitiva o tapete da ciência social estabelecida, “que não é outra coisa que ideologia eurocêntrica de dominação”. O conhecimento histórico e o aporte empírico de suas teses e hipóteses sobre a Europa e o Oriente são, de fato, exuberantes neste livro, constatação que nos obriga a revisar profundamente as autoridades intelectuais e acadêmicas constituídas no meio universitário dos Estados Unidos, da Europa e da América Latina. A “emergência” da China e do leste asiático na economia mundial, até então apresentada como algo inédito, nunca passou de ignorância histórica com sustento apenas na força da ideologia da classe dominante que promoveu por todos os meios autores e “teorias” que ainda gozam de imenso prestígio entre nós a despeito da debilidade de suas “teses”.
Agora, não obstante, terão que aceitar o “declínio do Oriente” verificado em séculos passados como mera expressão de uma fase da evolução da economia mundial e, da mesma forma, deverão admitir que o êxito das nações do Ocidente, marcadas pela chamada revolução industrial, tampouco resultou de alguma excepcionalidade europeia responsável pelo domínio necessariamente passageiro de sua hegemonia agora visível e irremediavelmente comprometida diante do ascenso da Ásia.
O público brasileiro poderá desfrutar da notável contribuição de Gunder Frank num momento em que nosso país exibe sem constrangimentos imenso desprezo pela teoria e pela história nos partidos, no sindicalismo, na academia, nas organizações sociais e, sobretudo, nos chamados “líderes políticos”. Portanto, não me surpreenderá que tanto a rejeição quanto o aplauso decorrente de sua leitura constituem manifestações evidentes da luta de classes em um mundo em crise, que terminam por sacodir o terreno outrora mais ou menos sólido em que pisávamos e as certezas que nos paralisaram, finalmente responsáveis por nos manter nos marcos do sistema capitalista como se, de fato, não houvesse alternativa possível.
Nildo Ouriques
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André Gunder Frank (1929-2005). Doutor em Economia por Chicago sob orientação do liberal Milton Friedman é autor de vasta e importante obra intelectual sobre a economia mundial e a periferia capitalista. A convite do genial Darcy Ribeiro foi professor da Universidade de Brasília (UnB) e tornou-se um dos mais importantes pensadores críticos da América Latina com alcance internacional.


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