Descrição
Autor: Jorge Lucas Simões Minella
ISBN: 978-85-524-0626-6
Páginas: 252 il.
Peso: 400g
Ano: 2026
16x23cm
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Como e por que o Estado Novo fez do pan-americanismo, frequentemente associado aos ideais liberais e à solidariedade continental, uma das bases de sua política internacional? Partindo desse problema, este livro analisa o pan-americanismo como um conceito político historicamente construído, apropriado e ressignificado por diferentes atores. Sem ignorar as profundas assimetrias de poder que marcaram as relações entre Estados Unidos e América Latina, demonstra que o Estado Novo não apenas aderiu a um projeto pan-americano concebido em Washington e em disputa nas relações interamericanas, mas o reinterpretou para responder às suas próprias necessidades políticas e diplomáticas. Ao articular história política, história dos conceitos e relações internacionais, a obra oferece uma nova interpretação da aproximação entre Brasil e Estados Unidos nos anos 1930 e 1940, revelando como ideias, discursos e práticas se entrelaçaram na construção da aliança continental e nas tensões e contradições que acompanharam a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial.
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São três capítulos. No primeiro, a partir da Terceira Reunião de Consulta de Ministros de Relações Exteriores das Repúblicas Americanas (1942), aprofundam-se os questionamentos introdutórios. Emerge a história, com a análise dos pontos discutidos nas Conferências Pan-Americanas (1889 a 1928) e do expansionismo e intervencionismo dos EUA na América Latina. Expõe a relação entre o pan-americanismo, a Doutrina Monroe e o ideário do Destino Manifesto, observada na União Pan-Americana, e a sua repercussão na Primeira República (1889-1930). O capítulo seguinte trata do início da década de trinta, marcado pelo colapso econômico global de 1929, o Movimento de 1930 em nosso país e a Política da Boa Vizinhança dos EUA a partir de 1933, ano em que ocorre a 7ª Conferência Pan-Americana. Nessa conjuntura, examina a Conferência Interamericana de Consolidação da Paz (Buenos Aires, 1936), um interesse do presidente Franklin Roosevelt. A narrativa segue criticamente a figura do embaixador (1934-1937) e ministro de Relações Exteriores (1938-1944) Oswaldo Aranha, defensor do pan-americanismo e personagem determinante na Era Vargas. Revela ainda a ação de uma corrente política pan-americanista interna no governo getulista durante o período de “equidistância pragmática” do Brasil em relação aos EUA e Alemanha. O último capítulo debate o impacto do Estado Novo no pan-americanismo brasileiro e o envolvimento do país na Segunda Guerra Mundial como aliado dos EUA. Também a compreensão desse processo, marcado pelo pan-americanismo e suas operações nas Reuniões de Consulta dos Ministros de Relações Exteriores das Repúblicas Americanas e no Office of the Coordinator of Inter-American Affairs, criado em 1940 nos EUA para coordenar os esforços continentais durante a guerra. Ainda as tensões geopolíticas num país periférico nos turbulentos anos 1930 e a ação deliberada do Ministério de Relações Exteriores do Brasil para manipulação do pan-americanismo na estruturação de uma relação prioritária entre nosso país e os EUA à medida que o conflito global se aprofundava. Na conclusão, o pan-americanismo alinhando o Brasil com os EUA nas décadas de 1930 e 1940 para solucionar os conflitos existentes entre a “aliança com as democracias” do continente e os fundamentos do regime nacionalista e conservador do Estado Novo, que identificou essas contradições e priorizou aspectos constantes nas Conferências Pan-Americanas, como a não intervenção e a defesa do regime autoritário como defensor do continente contra as “ameaças ideológicas externas”.
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Jorge Lucas Simões Minella é historiador. Doutor pela University of Massachusetts Amherst e mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina, pesquisa a história das relações interamericanas e das interações entre desenvolvimento, Estado, infraestrutura e meio ambiente nas Américas.
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