Descrição
Primeiro movimento armado contra a ditadura militar
Autor: Leomar Rippel
ISBN: 978-85-524-0594-8
Páginas: 302 il.
Peso: 480g
Ano: 2026
16x23cm
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O golpe de 1964 e um longo período de trevas fizeram com que muitos movimentos nacionais, populares e revolucionários de resistência à ditadura caíssem no esquecimento, tanto pela censura e a repressão política quanto pelo revés das suas lutas para derrotar os usurpadores do poder. Muitos militantes exilaram-se e reorganizaram-se no exterior. No Uruguai, onde encontrava-se a maior liderança de oposição aos militares, Leonel de Moura Brizola, e o presidente constitucional deposto João Goulart, articulou-se a Operação Três Passos que, sob o comando do coronel Jefferson Cardim, pretendia insuflar a revolta nos quartéis do sul, estendendo-se a rebelião a todo o país, culminando com a deposição dos golpistas. Trata-se de um estudo respaldado em inúmeras fontes bibliográficas, documentais e orais, além de muitas outras, entre as quais, como exemplo, destacamos o processo nº 335/1965, da Justiça Militar Federal, com mais de 6500 páginas, que julgou os participantes da Operação Três Passos, ao qual o historiador Leomar Rippel teve acesso.
O autor é Doutor em História pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Mestre em História pela Universidade de Passo Fundo e Mestre em Desenvolvimento Rural Sustentável pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Graduado em História pela Universidade Paranaense. Professor Adjunto do Departamento Acadêmico de História da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Rolim de Moura.
O autor é Doutor em História pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Mestre em História pela Universidade de Passo Fundo e Mestre em Desenvolvimento Rural Sustentável pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Graduado em História pela Universidade Paranaense. Professor Adjunto do Departamento Acadêmico de História da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Rolim de Moura.
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Tempo e História: duas mediações postas na contemporaneidade que nos desafiam à apreensão de um fato ou objeto. Talvez nada incomum visto nessa reflexão de Leomar Rippel sobre a Operação Três Passos, movimento político de resistência à ditadura, tendo à frente um grupo de militares e civis, uns voluntários, outros nem tanto, mas, com certeza, na maioria imbuídos de revolta, cuja ação política é vista como um Protesto, assim adjetiva o autor, mas postos principalmente dentre aqueles que não perderam a capacidade de se indignar.
Resgate histórico, singular e original, em que o autor realiza a pesquisa passo a passo, a rigor. Uma viagem no tempo, trazendo à tona, sem concessões ao objeto, o lamento de seu fracasso, pontuando contundentes críticas ao processo de (des)organização, bem como os desdobramentos da operação, quase apostando ou até concluindo que seria uma tragédia anunciada antes mesmo de seu início. Afinal, objeto exposto em um olhar retrospectivo, é difícil imaginar que a insurreição proposta poderia ser bem-sucedida naquelas circunstâncias, face aos meios disponibilizados, amadorismos, bem como improvisação, e sem mencionar a vacuidade dos objetivos táticos e estratégicos militarmente elencados ou propostos. Mas não somente, o pesquisador revela algumas delicadas questões relacionadas aos seus atores mais conhecidos, resgatando personagens até identificados historicamente à paternidade dessa operação ou igualmente clarificando autoria da morte no conflito, desmistificando a linha oficial ou oficiosa que concerne à questão.
Igualmente, não faz concessão ao objeto e, além de um resgate crítico contundente, sinaliza traições e delações, expondo as consequências advindas de seu fracasso, especialmente as bárbaras torturas infligidas a alguns dos envolvidos, no caso, desrespeitadas patentes de militares ou também civis, aliás, uma norma vista ao longo daqueles anos. Ainda assim, traz com objetividade esses fatos, sinalizando do mesmo modo uma reflexão importante sobre a intervenção dos militares de esquerda e nacionalistas pós-1964; aqueles imprescindíveis – lembrando Brecht – homens que nunca perderam a capacidade de sonhar com um outro projeto de nação.
Não é pouco e, nessa linha, Leomar Rippel remete nessa história a inconclusa História de nosso tempo. E na contemporaneidade, cuja crítica a uma ação política é legítima, por um lado contra uma ditadura, mas, por outro, reveladora face às suas ambiguidades no tempo para a democracia. Provavelmente não poderia ser diferente ao final em um reajuste de foco, porém, evidente no presente, e, muito mais que um ponto de chegada, é um ponto de partida. Haveria, portanto, muito a ponderar e dialogar com o autor e a obra, mas no caso sugiro aos leitores que deem um passo a mais além dentre os três passos intitulados para uma jornada fascinante e elucidadora. Paro aqui para não tirar o prazer dessa leitura, quiçá, aventura histórica no tempo e na História.
Caminhemos com o autor.
Resgate histórico, singular e original, em que o autor realiza a pesquisa passo a passo, a rigor. Uma viagem no tempo, trazendo à tona, sem concessões ao objeto, o lamento de seu fracasso, pontuando contundentes críticas ao processo de (des)organização, bem como os desdobramentos da operação, quase apostando ou até concluindo que seria uma tragédia anunciada antes mesmo de seu início. Afinal, objeto exposto em um olhar retrospectivo, é difícil imaginar que a insurreição proposta poderia ser bem-sucedida naquelas circunstâncias, face aos meios disponibilizados, amadorismos, bem como improvisação, e sem mencionar a vacuidade dos objetivos táticos e estratégicos militarmente elencados ou propostos. Mas não somente, o pesquisador revela algumas delicadas questões relacionadas aos seus atores mais conhecidos, resgatando personagens até identificados historicamente à paternidade dessa operação ou igualmente clarificando autoria da morte no conflito, desmistificando a linha oficial ou oficiosa que concerne à questão.
Igualmente, não faz concessão ao objeto e, além de um resgate crítico contundente, sinaliza traições e delações, expondo as consequências advindas de seu fracasso, especialmente as bárbaras torturas infligidas a alguns dos envolvidos, no caso, desrespeitadas patentes de militares ou também civis, aliás, uma norma vista ao longo daqueles anos. Ainda assim, traz com objetividade esses fatos, sinalizando do mesmo modo uma reflexão importante sobre a intervenção dos militares de esquerda e nacionalistas pós-1964; aqueles imprescindíveis – lembrando Brecht – homens que nunca perderam a capacidade de sonhar com um outro projeto de nação.
Não é pouco e, nessa linha, Leomar Rippel remete nessa história a inconclusa História de nosso tempo. E na contemporaneidade, cuja crítica a uma ação política é legítima, por um lado contra uma ditadura, mas, por outro, reveladora face às suas ambiguidades no tempo para a democracia. Provavelmente não poderia ser diferente ao final em um reajuste de foco, porém, evidente no presente, e, muito mais que um ponto de chegada, é um ponto de partida. Haveria, portanto, muito a ponderar e dialogar com o autor e a obra, mas no caso sugiro aos leitores que deem um passo a mais além dentre os três passos intitulados para uma jornada fascinante e elucidadora. Paro aqui para não tirar o prazer dessa leitura, quiçá, aventura histórica no tempo e na História.
Caminhemos com o autor.
Paulo Ribeiro da Cunha
Doutor em Ciências Sociais, professor em Ciência Política na Universidade Estadual Paulista.
Doutor em Ciências Sociais, professor em Ciência Política na Universidade Estadual Paulista.
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