Nós e você: memórias de uma pau-de-arara

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Categorias: , SKU: 978-85-524-0593-1

Descrição

Autor: Gilmar de Azevedo
ISBN: 978-85-524-0593-1
Páginas: 136
Peso: 200g
Ano: 2026

15x21cm

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“[…] Quando estavam em grupo e em vantagem, torturador, apontavam o dedo para nós e diziam que ali (aqui na sala onde estamos, e abre as mãos para o espaço agora vazio, com somente as memórias dos que por este ambiente de tortura passaram) não existia Deus, nem pátria, nem família, nem justiça, e que só havia ‘Nós (os torturadores) e você (a torturada impotente que mistura suas lágrimas à sua urina, fezes, suor e medo)!’. Agora, torturador, somos ‘Nós (e todas apontaram o dedo para ele) e você (o torturador entrevistado, que olhou para elas, impassível), e você, torturador!’. Mas não falo, a história vai condená-lo, senhor torturador.”
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Uma mulher trabalhou no DOI-Codi em São Paulo, na “Casa da Vovó”, de 1970 a 1974, sob a coordenação do major, amigo íntimo de seus patrões, que a tiraram do orfanato. Quando saiu do emprego, levou consigo um pedaço de madeira de cabreúva que era usado como suporte de pau-de-arara em sala de tortura. Como lia o Aventuras de Pinóquio, sonhou e desejou uma filha. De manhã, viu que aquela madeira se transformou em uma moça. Contou para
a filha tudo o que viu e soube na “Casa” e morreu. A filha – cujo nome é uma homenagem a uma mulher muito famosa na História do Brasil e uma das personagens do livro –, além do que soube pela mãezinha-sonho, ainda tinha a memória daquele tempo, das interações com as torturadas e com os torturadores. Em bares nos arredores da Rua Tutóia (onde se localizava o DOI-Codi), encontrou e conversou com torturadores e torturadas. Descobriu ser
o Fau (Fausto, de Goethe) responsável por tudo o que acontecia. As histórias são contadas a uma ouvinte dia 11 de setembro de 2025, com fatos e pessoas acontecidos desde 1969, da Oban, e passando pela “Casa” até a data da narração. Quais são as suas memórias de uma pau-de-arara? Quem eram os torturadores? Quem são e o que aconteceu com as torturadas? Como foram seus encontros com o major-torturador? Como foi sua relação com o Fau? Fez com ele acordo igual ao que o servo de Mefistófeles fez com os outros? O que aconteceu no período de suas memórias e que viveu com sua mãe e outros personagens na história do Brasil? Por que 11 de setembro, dia da narração, é tão importante na história brasileira? Como lidou com sua “imortalidade”
já que ficou com o passar do tempo com a mesma forma física e sabendo que não iria morrer, como os demais humanos? Como se resolveu com o Fau em relação ao acordo proposto de passageira felicidade? Como houve a inversão do “nós e você” na relação torturadores-torturadas? Este romance, enfim, convida o(a) leitor(a) a acompanhar fatos e pessoas importantes em período sombrio de nossa história, a Ditadura Civil-Empresarial-Militar, principalmente nos “Anos de Chumbo”, e através da ficção. Ou da História. Ou da metaficção historiográfica.
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GILMAR DE AZEVEDO
é professor adjunto da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Autor de vários textos acadêmicos e literários. Entre eles: Só as feridas lavadas
cicatrizam: vozes femininas em salas de tortura e Escritoras da ditadura, ambos em versões digitais.
E-mail: gilmarazevedopf@gmail.com.
(54) 99969-0340

Informação adicional

Peso 300 g
Dimensões 15 × 21 cm

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